Se existia algo que me deixava chateado, era nunca ter jogado Power Grid, mesmo já tendo sido dono de duas cópias anteriormente (das quais me desfiz e me arrependi). Pois bem, consegui por as mãos na minha terceira cópia. Mas um jogo dessa envergadura não merece ficar empoeirando novamente na prateleira e, assim, finalmente consegui experimentar o clássico feito pelo “homem do cabelo verde”, Sr. Friedemann Friese.

Em Power Grid, os jogadores representam companhias que estão instalando plantas de energia para abastecerem as cidades de determinado país (no caso da versão básica, Estados Unidos ou Alemanha). Aquele que conseguir suprir mais cidades será o vencedor.

Durante a partida, brigamos para conseguir as melhores plantas de energia, pois, dependendo do tipo de recurso utilizado e do nível dessa fábrica, elas são mais ou menos eficientes. E a briga se dá através de um leilão para ver quem consegue ficar com a melhor planta, seja aquela usina ecológica que não precisa de nenhum recurso para gerar energia ou ainda a que consegue abastecer mais cidades. Dependendo de como se jogar, o dinheiro fará muita falta na partida

Para piorar, os recursos necessários para a maioria das plantas gerarem energia (carvão, óleo, lixo, urânio), acabam tendo seus valores bastante alterados por conta do sistema de abastecimento de mercado que o jogo proporciona. Quando mais se compra determinado recurso, mais caro ele fica. Oferta e procura básica.

Daí se torna extremamente importante a questão da ordem em que você quer jogar na hora de comprar esses recursos. Se você tiver mais cidades conectadas, ou seja, for o melhor jogador neste quesito, acabará sendo o último a comprar recursos (vai comprar caro) e construir novas plantas no tabuleiro, que é onde realmente o “bicho pega”.

Para aumentar nossos sistema de abastecimento, precisamos colocar nossas “casinhas” no tabuleiro de modo a conectar as cidades que estamos fornecendo energia. O custo para isso acaba variando de local para local no tabuleiro, e também, de acordo com a fase em que o jogo se encontra.

No início da partida cada nova instalação custará 10 elektros (o dinheiro do jogo) mais o valor da conexão com uma outra cidade que já seja sua. Mais para frente na partida, esse valor aumenta para 15 e 20 Elektros.

Isso faz com que você planeje antecipadamente a linha de construção das suas usinas. O problema é que cada cidade comporta apenas 3 peças de jogador e não podemos repetir a cidade. Não demora para perceber que o espaço será concorrido aqui e a ordem do turno fará toda a diferença.

Mas nem tudo é ruim para você. Quando o turno termina, temos que decidir quantas cidades iremos abastecer, utilizando nossos recursos nas nossas cartas de plantas energéticas. Com isso conseguimos receber Elektros que serão de grande ajuda para o leilão, comprar recursos e construir novas usinas.

Quando alguém consegue finalmente abastecer 17 cidades é dado o gatilho para o final da partida, e aquele que iluminar mais cidade é o vencedor. Em caso de empate, quem tiver mais Elektros vence.

Em suma, Power Grid se mostrou um ótimo jogo, com regras simples, mas com uma jogabilidade que frita o cérebro de tanta conta que temos que fazer. E essas contas normalmente mudam de acordo com as jogadas do pessoal.

De vez em quando a gente acaba travando pois um caminho que estávamos planejando acabou sendo usado por um oponente (que nesse momento se tornou seu maior rival, rss), mas nada que te impeça de buscar um alternativa e desempacar o seu turno.

Power Grid tem um excelente sistema de catch-up, impedindo que o melhor jogador dispare na liderança. Equilibrar bem isso, sabendo dosar a sua vez de jogar, é o core da estratégia do jogo.

Depois de terminado a partida a principal conclusão que cheguei foi a de que perdi muito tempo sem ter jogado esse grande clássico e que, certamente, verá muita mesa daqui para frente.

Espero que gostem dele também 🙂

Grande abraço,
Rafael Verri (Parma)