friday

Jogos de tabuleiro são em sua essência, uma forma de interação social entre pessoas que se juntam ao redor da mesa para se divertir, portanto, pressupõe a existência de mais de um jogador. Porém, não é muito raro no meio lúdico encontrarmos jogadores interessados em uma partida, mas que por questões diversas não conseguem formar uma mesa ou participar de uma sessão de jogatina com seus amigos (seja por falta de tempo, dificuldade de locomoção nas cidades, ou até mesmo pela falta de outros jogadores interessados).

Tentarei por meio da análise de alguns jogos, trazer algumas alternativas viáveis para que você, leitor, possa ter uma experiência lúdica de qualidade mesmo sem estar em uma mesa junto com seus amigos para aquela partida do seu tabuleiro predileto. Estas alternativas se encontram basicamente nos jogos solitários (não se sinta deprimido pelo nome) ou ainda os jogos de tabuleiro adaptados para o universo digital dos tablets e celulares.

A escolha para o primeiro jogo não poderia deixar de ser sobre a história do maior náufrago da literatura, Robinson Crusoe, que vivendo isolado em uma ilha (assim como nossos amigos jogadores se sentem quando não acham ninguém para jogar), conseguiu manter sua sanidade e a paciência até encontrar seu maior amigo, o Sexta-Feira. Passamos então a falar sobre o jogo “Friday”, da Rio Grande Games, com tempo aproximado de jogo de 30 minutos.

Friday é o segundo jogo da série “Friday Project” do autor Friedemann Friese, que, nada mais nada menos, é o designer por trás do famoso Power Grid, além do Fearsome Floors e do Felix: The Cat in the Sack, todos jogos bastante consagrados. Ou seja, Friday já nasceu com pedigree. Mas será que o jogo por si só se sustenta, ou busca se apoiar apenas na fama de seu pai. Vejamos:

Os tabuleiros do jogo

O jogo é um deck building/hand management solitário onde o jogador faz o papel do Sexta-Feira ajudando o amigo Robinson Crusoe a sobreviver para chegar ao final de três fases de jogo e conseguir derrotar os piratas. Na pequena caixa você encontrará 72 cartas de jogo, 22 tokens de vida e 3 tabuleiros que irão servir apenas como indicador de local onde alguns decks de cartas deverão ficar.

Tirando o fato do tamanho das cartas não suportar a maioria dos sleeves mais comuns no mercado (e nesse jogo teremos que embaralhar muito), o resto não deixou a desejar, sendo compatível com o valor de U$ 14,00 cobrado. A arte, apesar de a primeira vista parecer muito simples, cumpre bem com seu papel de informar o que deve, e ainda com o tempo você começa a achar graça das caras e bocas do Robinson.

As caras e bocas de Robinson

Quanto às regras, em um primeiro momento quando lemos o manual e preparamos a partida, tudo parece um pouco estranho, mas conforme vamos jogando, a mecânica vai se mostrando extremamente lógica e simples. Resumidamente, Friday possui três decks de cartas: i) cartas de perigo, ii) cartas de combate e iii) cartas de envelhecimento. As cartas de perigo, apesar de primeiramente representarem o inimigo do jogo, possuem dois lados para serem usadas e por isso poderão ser adquiridas pelo jogador que passará a usar o lado de combate da mesma de forma a auxilia-lo nas disputas futuras.

Em cada turno o jogador irá virar duas cartas de perigo que indicarão quantas cartas de combate ele poderá comprar gratuitamente (se quiser continuar comprando além deste limite deverá descartar tokens de vida). O jogador escolhe com qual das duas cartas de perigo ele irá disputar. Para vencer a disputa, o valor de combate das cartas deverá superar o valor da carta de perigo escolhida, sendo que este valor ira variar de acordo com a fase que o jogo se encontra (verde, amarelo ou vermelho).

Caso o jogador vença o combate, ele pegará a carta de perigo e irá adiciona-la ao seu deck, e a partir de então poderá usar o lado de combate desta carta. Por outro lado, caso perca o combate, ele irá sofrer danos de acordo com a diferença entre o total do valor do perigo e o total do valor de suas cartas de combate, eliminando de seu pool a quantidade equivalente de tokens de vida.

Contudo, com estes tokens eliminados, o jogador poderá descartar definitivamente algumas cartas de seu próprio deck de combate. E é aqui que mora a maior parte estratégica do jogo, pois, muitas vezes é preferível perder o combate para poder descartar algumas cartas “fracas” de seu deck. Isso porque, conforme o jogo avança, o valor de perigo a ser batido vai aumentando (de forma significativa).

Outra parte interessante é que as cartas do deck de combate do jogador possuem diversos poderes especiais, permitindo a ele, por exemplo, comprar mais cartas de graça, aumentar seus pontos de vida, copiar o efeito de outra carta, olha o deck de combate, etc.

Jogo em andamento

Ora, então para se dar bem em Friday, basta o jogador ficar eliminando as cartas fracas que ficará fácil para ganhar os combates? Não é bem assim. A mecânica desenvolvida foi tão bem fechada que o autor determinou que quando o deck de combate do jogador não tiver mais cartas, ele deverá embaralhar todas as cartas do descarte, mas deverá adicionar uma das cartas de envelhecimento, que acaba trazendo números ainda piores para o seu deck e que ainda são mais difíceis de serem eliminadas. Ainda por cima, estas cartas de envelhecimento possuem poderes especiais prejudiciais e de aplicação obrigatória. Portanto, a palavra de ordem é equilíbrio.

Os PirataO final do jogo é ativado quando as cartas de perigo se esgotarem pela terceira vez, sendo que os piratas chegarão neste momento e o jogador deverá enfrenta-los em combate (arrrr). Serão duas cartas de pirata com valor de perigo bem elevado e com quantidade variada de cartas de combate que o jogador poderá comprar gratuitamente, além de regras especiais para a batalha.

Caso consiga derrotar o segundo navio pirata, o jogador vencerá o jogo e, para verificar o quão bem ele foi na partida, irá pontuar de acordo com a quantidade de tokens de vida restante, navios derrotados e conforme suas cartas de combate e cartas de perigo.

As regras permitem ainda alguns níveis de dificuldade para desafiar ainda mais o jogador, permitindo um alto grau de rejogabilidade. Porém, desde já afirmo: mesmo no nível easy você irá encontrar muita dificuldade para derrotar os navios piratas. Isso se conseguir chegar até eles.

Friday é um game com regras simples mas com uma complexidade estratégica enorme. A todo instante o jogador é desafiado a tomar decisões que irão impactar as fases seguintes. Qual carta de perigo enfrentar? Quantas cartas vou comprar? Continuo comprando? Perco a batalha e elimino esta carta ruim de minha mão ou vou ganhar para adicionar aquela com um poder legal que pode me ajudar mais para frente? Como visto, são várias as escolhas a serem tomadas, e me arrisco a dizer que muitos jogos multijogadores não possuem tantas decisões assim.

Trata-se de um jogo bom, bonito e barato. Adiciono ainda às qualidades o atributo de ser um jogo simples, rápido e extremamente estratégico. Um ótimo game para passar o tempo enquanto espera para formar uma mesa com outros jogadores, ou ainda para diminuir sua “fome de jogo” quando não encontra ninguém para jogar. Altamente recomendado.

 

FICHA DO JOGO

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[column size=”col-6″]

[skill number=”80″ caption=”Componentes”]

[skill number=”85″ caption=”Rejogabilidade”]

[skill number=”85″ caption=”Diversão”]

[skill number=”80″ caption=”Estratégia”]

[skill number=”50″ caption=”Complexidade”]

[skill number=”75″ caption=”Arte”]

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[column size=”col-6″]

[skill number=”75″ caption=”Fator Sorte”]

[skill number=”0″ caption=”Interação”]

[skill number=”75″ caption=”Temática”]

[skill number=”100″ caption=”Possibilidade Solo”]

[skill number=”95″ caption=”Custo Benefício”]

[skill number=”85″ caption=”NOTA FINAL”]

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Qnt. Jogadores: 1 jogador
Idade Recomendada: 10 anos
Duração: 25 minutos
Game Designer: Friedemann Friese
Ano de Publicação: 2011
Dependência de Idioma: Poucos textos
Mecânicas de Jogo: Deck Buildig / Hand Management
Mais informações: http://riograndegames.com/Game/399-Friday